sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Faça-me teu novamente, querida!


Continuo correndo em sua direção, querida.
Como se o mundo fosse acabar no próximo segundo.
Como se eu pudesse guardar qualquer suspiro teu, e acrescentar
nos teus dias de vida ao meu lado.
Continuo sonhando com os teus olhos negros, aqueles que me perdi dentro.
Ouço tua voz através do vento que bate nas janelas e movimentam as cortinas
da sala onde costumávamos passar as tardes de domingo.
Sinto seu beijo de boa noite antes de dormir, querida. Me faz querer sentir com
urgência a sua boca na minha pele. Fecho os olhos e sinto seus dedos frágeis
desenhando a forma dos meus ossos. Oh como sinto sua falta, querida!
Você não sabe que não se pode abandonar um homem apaixonado nunca?
Você esqueceu que eu não podia ser abandonado nunca? E as promessas, querida?
Você não havia dito que viajaríamos o mundo inteiro? Não havia planejado
encher a sala de estar de tapetes marroquinos? Onde está você, que levou contigo
todos os meus sorrisos? Pela a manhã, não ter mais duas
xícaras de café. Não ter dois pratos para lavar após o almoço.
Tudo ficou solitário após a sua partida. Você não entende não é? A noite eu não consigo dormir.
É uma cama grande demais para um só homem aos pedaços, querida.
Continuo cuidando das suas orquídeas. Eu sei o quanto você gostava do seu jardim. Mas
mesmo assim, o deixou. Assim como me deixou. Não tem chovido muito por aqui,
mas o clima tá como você gostava. Tudo está tão triste. Ninguém me visita mais.
Eu continuo correndo em sua direção, querida. Como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo. Como se eu pudesse guardar qualquer suspiro teu, e acrescentar
nos teus dias de vida ao meu lado.
Você foi fiel às suas promessas, querida. Até mesmo àquela de 50 anos atrás,
em que dissemos: até que a morte nos separe.
E eu ainda a amo como se estivesse aqui, querida.

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