segunda-feira, 16 de maio de 2011

Querido diário,

estou bem. Não é incrível? Andei fazendo uma faxina na minha vida. Mudei a maioria das coisas externas que me cercam. Começando pelo o meu quarto. Arrumei ele direitinho, é. Retirei todas aquelas fotos das paredes que estavam ali grudadas por quase três anos. Inicialmente, me senti estranha. O branco que ficou nas paredes não alegrava em nada o ambiente, e eu precisava disso. Então colei posters da linda Avril. Ficou esquisito, porque ficou parecendo algo meio tosco sei lá. Mas depois eu configuro ele melhor.
       Agora pergunte-me porque fiz isso. Um dia, minha mais velha amiga me perguntou porque eu não usava mais brincos grandes, porque a maioria das minhas roupas agora eram camisetas e porque meu cabelo estava tão curto. Eu respondi que era mais prático e que já não era mais tão vaidosa como antes. Me cuidava, mas não tão vaidosa com um dia eu fui. Ela olhou pro lado e avistou uma das minhas fotos de 2009 e disse: " Eu prefiro aquela Ramilly." E eu só respondi: " Eu também, mas ela já não existe mais."
     Contei pra minha psicóloga e ela perguntou se eu realmente achava que mudando a minha aparência e o meu quarto alguma coisa mudaria. Eu disse que talvez não mudasse em nada. Porém, era bem mais difícil me olhar no espelho e ver o mesmo reflexo, me arrumar do mesmo jeito para sair, esperar encontrar tudo igual ao sair de casa e quando saía nada ser como antes. Eu já aceitei que minha vida mudou. E que eu já não
sou mais uma das garotas mais populares da escola ou uma das mais conhecidas na cidade.
      E que agora as pessoas têm outra imagem sobre quem eu sou, mesmo equivocadas elas já tem um conceito. E eu aprendi a ignorá-las. Sério. Aprendi mesmo. Nada que saia da boca de pessoas que não se importam comigo ou com o meu bem estar importa pra mim.
 Então, sou uma pessoa quase recuperada. Embora ainda tenha os meus conflitos e não seja tão bem resolvida. Estou bem, obrigada. Mudei porque eu me dei a chance de se despedir de mim mesma. Me despedir do que eu era.  Eu merecia isso. Ela agora se foi.
Engraçado é que é triste assim, por meio da escrita dramática, eu falando que tudo passou e que nada da minha antiga vida existe mais e blá blá blá. Coisas que até eu já estou cansada de repetir e escrever, mas aqui comigo, no fundo eu sabia que eu não era mais a mesma, e que há muito tempo ela já tinha ido embora. Então não estou abalada.
     Eu entendo que eu precisava ter vivido tudo o que eu vivi para aprender o que eu sei hoje. E entendo que Ela foi feliz ao modo dela e do seu mundo. E em momento algum acho que Ela viveu uma mentira, mesmo tendo sido desmoronado. Parei de culpar as pessoas, as circunstâncias, ficar repassando cada mero detalhe e remoer o porque que aquilo tinha acontecido comigo. Eu vi cada coisa que eu ganhei com a perda daquelas.
E é por essas que eu agradeço. O bom de me despedir da Ramilly é que junto a ela estão todos que por sua vida passaram e alguns vão na mala também.  Adeus passado. Adeus eu. Sou outra. Sou nova. E coragem agora é o meu primeiro nome e confiança o segundo.








Boa noite. Até a próxima página.

                                  _rv









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