sexta-feira, 27 de maio de 2011

Asfixia.

    Eu tentei com tudo o que pude não escrever sobre isso.
Porque raramente escrevo sobre reclamações. A maioria é sobre lamentações pessoais e afins.
Mas hoje o download completou  100%. Minha paciência esgotou.
E olha que eu sou bem, bem, mais bem paciente mesmo. Mas há quase três anos é a mesma coisa. E isso no começo me parecia fofo, gentil e frágil.  Mas agora não passa de uma agonia diária. Olha, eu entendo você, conheço suas fraquezas e sei o quanto você é uma das pessoas mais carentes do mundo, mas eu preciso de espaço. Preciso sentir sua falta. Desconfio também que pode haver sentimentos maiores envolvidos nessa
relação, e acredite, esse é o único motivo que me faz não explodir todas às vezes que me sinto invadida.
    Eu tenho um longo histórico de pessoas que já quiseram me possuir. Ter total domínio sobre mim e a minha vida. Pessoas agressivamente ciumentas e histéricas. Pessoas que não perdiam a oportunidade de jogar na minha cara o quanto eu era fria. Mas não é bem assim, eu não sou fria. Se tem uma coisa que eu realmente não sou é fria. A frieza não faz parte de mim. Eu apenas gosto de gostar das pessoas no meu canto. Comigo mesma. As vezes não é nem questão de opção, é alternativa mesmo. Não sei interagir naturalmente. Nunca soube! Sempre tenho medo de estar enforcando a pessoa com o meu sentimento.
Talvez por isso, por saber como é ser enforcada, eu não goste de enforcar.
Admiro que você tenha perdido a sua timidez ao longo desses anos, e conseguiu se aproximar direitinho por méritos (quase)  inteiramente seus. Mas eu preciso respirar, pelo o amor de Deus!
Outra coisa que está interligada, que eu não posso esquecer de comentar é que você é muito incoveniente. E eu realmente detesto isso. Não é porque seja você. Não é porque eu já estou esgotada de tantas coisinhas que me pressionam a te aceitar sempre com um sorriso largo no rosto, é que eu realmente detesto. Não tem nada mais chato do que você ter que parar uma conversa séria ou boba com alguém porque outra pessoa chegou do nada. Às vezes, você não tem nada pra falar. Simplesmente chega e fica. COMO ASSIM?!
Fora a questão do respeito. Nunca me senti confortável quando eu conversava com os garotos e eles começavam a desviar o olhar pro meu corpo. Eu sei que às vezes certas partes podem chamar atenção por terem um tamanho grande e tal (rs) mas me sinto desconfortável. E isso é até involuntário, e não me irrita tanto, porque sou até que acostumada,  mas são as piadinhas vulgares que anda fazendo. Não piadinhas. Piadas. Piadas chatas.
    Grude. Você se tornou tão grudento! A cada duas palavras é um abraço de 20 minutos. Eu adoro carinho. E gosto muito mais vindo de quem eu gosto e gosta de mim também.  Mas é uma série de coisas que eu realmente não sou mais tão tolerante.
Estou sendo obrigada a mentir pra você. Sobre pra onde vou ou deixo de ir, porque se não você aparece lá pra me buscar. Eu gosto de você. Sério, gosto mesmo. Te acho uma pessoa singular, mas esses costumes que me deixam desconfortável
estão encobrindo suas virtudes. E não quero esquecer quem você é ou como é divertido estar com você por não suportar
a sua presença por ser tão excessiva. Eu sei que você não vai ler isso, não vai nem ficar sabendo
o quanto estou incomodada, mas pelo menos eu preciso reiniciar outro download, zerar e começar de novo mesmo que
você não mude. Mas talvez desabafar me torne mais paciente novamente. E que fique bem claro, não é porque
eu não goste de ser cuidada dessa forma tão protetora, eu até gosto, mas é que é por ser você. Não quero
que você tenha mais motivos pra se iludir por pensar que está tendo progressos. Porque não, NÃO está.
    Após um longo dia de aturação desses desagradáveis problemas que citei, você nota minha irritação por alguma coisa
e pergunta como estou, e eu quis gritar: SUFOCADA!
Estou tendo tanta dificuldade pra entender o que eu sinto que eu não consigo mais nem escrever sobre isso.  Eu tento mais as danadas das palavras se escondem de mim.  E como eu posso aliviar ou organizar as minhas emoções se primeiramente eu não as entendo?      

5 coisas que você talvez não saiba sobre mim.



1- Já disse "não" pra alguém com medo dele não gostar de mim.
2- Não gosto de crianças apartir dos 7 anos.
3- Meu quarto é muito bagunçado, mas se minha comida não tiver organizada no prato eu não como.
4- Se eu não gostar de como estou vestida, eu não saio de casa.
5- Eu dormi durante 6 anos com um ursinho que eu ganhei no meu aniversário de 5 anos. E ele sempre amanhecia no chão.

Quer? Então pega. Pega por inteiro. Minha parte boa, minha parte chata, minha parte cinza-chumbo. Crise de tpm, crise existencial, crise de riso, crise de choro. Não queira só um lado ou só algumas partes. Se quer (quer mesmo?), queira tudo. Completa e complicada. Simples e confusa. Dramática e exagerada. Não gosto de partes, gosto da coisa inteira. Metades não me agradam. Não me atraem. Não me satisfazem. Se eu te quero, quero 100%. Inteirinho. Com teu lado cretino e bonzinho. Com teu jeito arrogante e descontrolado. Tua doçura e acidez. Não me vem com mais ou menos. Nem vem. Nem, nem. Comigo é tudo ou nada. Mesmo. Quer?
(Clarrisa Corrêa)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Querido diário,

estou bem. Não é incrível? Andei fazendo uma faxina na minha vida. Mudei a maioria das coisas externas que me cercam. Começando pelo o meu quarto. Arrumei ele direitinho, é. Retirei todas aquelas fotos das paredes que estavam ali grudadas por quase três anos. Inicialmente, me senti estranha. O branco que ficou nas paredes não alegrava em nada o ambiente, e eu precisava disso. Então colei posters da linda Avril. Ficou esquisito, porque ficou parecendo algo meio tosco sei lá. Mas depois eu configuro ele melhor.
       Agora pergunte-me porque fiz isso. Um dia, minha mais velha amiga me perguntou porque eu não usava mais brincos grandes, porque a maioria das minhas roupas agora eram camisetas e porque meu cabelo estava tão curto. Eu respondi que era mais prático e que já não era mais tão vaidosa como antes. Me cuidava, mas não tão vaidosa com um dia eu fui. Ela olhou pro lado e avistou uma das minhas fotos de 2009 e disse: " Eu prefiro aquela Ramilly." E eu só respondi: " Eu também, mas ela já não existe mais."
     Contei pra minha psicóloga e ela perguntou se eu realmente achava que mudando a minha aparência e o meu quarto alguma coisa mudaria. Eu disse que talvez não mudasse em nada. Porém, era bem mais difícil me olhar no espelho e ver o mesmo reflexo, me arrumar do mesmo jeito para sair, esperar encontrar tudo igual ao sair de casa e quando saía nada ser como antes. Eu já aceitei que minha vida mudou. E que eu já não
sou mais uma das garotas mais populares da escola ou uma das mais conhecidas na cidade.
      E que agora as pessoas têm outra imagem sobre quem eu sou, mesmo equivocadas elas já tem um conceito. E eu aprendi a ignorá-las. Sério. Aprendi mesmo. Nada que saia da boca de pessoas que não se importam comigo ou com o meu bem estar importa pra mim.
 Então, sou uma pessoa quase recuperada. Embora ainda tenha os meus conflitos e não seja tão bem resolvida. Estou bem, obrigada. Mudei porque eu me dei a chance de se despedir de mim mesma. Me despedir do que eu era.  Eu merecia isso. Ela agora se foi.
Engraçado é que é triste assim, por meio da escrita dramática, eu falando que tudo passou e que nada da minha antiga vida existe mais e blá blá blá. Coisas que até eu já estou cansada de repetir e escrever, mas aqui comigo, no fundo eu sabia que eu não era mais a mesma, e que há muito tempo ela já tinha ido embora. Então não estou abalada.
     Eu entendo que eu precisava ter vivido tudo o que eu vivi para aprender o que eu sei hoje. E entendo que Ela foi feliz ao modo dela e do seu mundo. E em momento algum acho que Ela viveu uma mentira, mesmo tendo sido desmoronado. Parei de culpar as pessoas, as circunstâncias, ficar repassando cada mero detalhe e remoer o porque que aquilo tinha acontecido comigo. Eu vi cada coisa que eu ganhei com a perda daquelas.
E é por essas que eu agradeço. O bom de me despedir da Ramilly é que junto a ela estão todos que por sua vida passaram e alguns vão na mala também.  Adeus passado. Adeus eu. Sou outra. Sou nova. E coragem agora é o meu primeiro nome e confiança o segundo.








Boa noite. Até a próxima página.

                                  _rv









sábado, 7 de maio de 2011

Então agora, eu me vejo três anos mais jovem.
Através dessa menina que acabou de chegar, me comparo a ela por uma coisa:
a vontade de conhecer você.
O tempo passa, é verdade. Eu é que pensei que aquilo tudo
 nunca iria passar. Que tudo o que eu sentia por você não ia
mudar nunca. E olhe agora. Pesquise se quiser, não resta nada seu aqui.
Fugindo de casa pela a madrugada, passando noites de sábado na calçada
esperando você abrir o portão da casa da frente, e finalmente te ver
atravessando a rua, só porque me viu do outro lado e em seguida
sentava lá comigo. Eu dizia que estava no telefone
ou esperando uma amiga. Mas na verdade, quem eu esperava estava ali
 me perguntando por quem eu esperava. Eu me importei tanto com você.
 Eu quis tanto você. 
Você sempre terá o meu respeito por ser assim tão doce e compreensivo.
 E nunca esquecerei as infinitas vezes que você me fazia rir quando
 imitava as pessoas que conhecíamos.
Me magoei, não nego. Mas não mudaria nada do que eu fiz.
Porque realmente cada oportunidade que tivemos pra sermos
um do outro, valeu a pena. Embora, hoje só exista um cumprimento à distância.
E não lembramos mais que moramos tão perto.
Durou o tempo que tinha que durar. E acabou exatamente na hora certa.
Ela agora se parece comigo, porque no começo eu também acreditava em nós.
Mostre a ela como se trata as vizinhas de treze anos que acabam
de chegar. Dê a ela o melhor tratamento.
A faça feliz, porque é a vez dela.

Sensacionalismo.

Não adianta explicar e dizer que não é drama. 
Sempre será. É só o que vocês  acharão que é.
Então parem de se preocupar comigo ou 
perguntarem como eu estou se vocês não
estão interessados em saber como realmente
eu me sinto. 
Seja na intensidade que for.
Do jeito que for. Com o exagero que for. 
Se realmente se importa, me escute  com tudo
o que eu tenho pra falar.
Mas, não me grude mais placas de dramática,
 apenas por achar que meus problemas não são tão grandiosos quanto os seus. 
Combinado?