quinta-feira, 22 de março de 2018

confesso-me disfuncional



Me vejo encarando os velhos cantos das mesmas paredes de sempre.
Me observo voltando a visitar lugares escuros e dessa vez eu não pareço
mais conhecer o caminho. Automaticamente me perco entre
todos esses velhos e novos labirintos. Eu não sei mais voltar. Então posso
só sentar aqui um instante e esperar alguém vir procurar por mim?
Mas e se me acharem, me levariam de volta pro lugar de onde eu fugi?
Dolorosamente concluo então que nenhum lugar mais é seguro.
E dessa vez, é diferente, eu realmente nem quero voltar. Não posso voltar.
E eu nem quero mais ficar aqui, eu nunca gostei do escuro.
Mas lá também não tem mais luz. Não tem mais sol. 
O gosto amargo de me sentir derrotada me acorda todos os dias me lembrando
que não foi mentira, que não é um sonho. Essa é minha vida agora.
Bom, eu não chamaria de vida. Isso não é viver.
Isso é se arrastar pela existência. É um longo e interminável passeio por um cidade fantasma.
Não há nada pra visitar. Não há nada pra ver aqui.
E é aí que eu percebo que ninguém virá. Ninguem conhece o caminho.
E que cidades fantasmas nem existem nos mapas e é
assim finalmente encontro algum consolo, pois dessa forma eu também não existo.





The Verve - The Drugs Don't Work 



 

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