quinta-feira, 24 de maio de 2012

Sem acesso.



E lá estava ela. Como sempre, tão bela!
Ela vestia o vestido azul-marinho, que deixava a sua pele
mais clara do que já era, mais frágil, mais apetitosa, deixava
nos olhares de qualquer um a vontade de tocá-la.
E me enfraquecia a ideia do seu olhar encontrar o meu.
Mesmo não correndo o risco de que através daquele olhar bobo,
descobrisse como eu me sentia. Mas pensar em encarar aqueles olhos,
mesmo que por menos de um segundo, me petrificava.
 Enquanto a observava eu sonhei em mil formas diferentes
de como me aproximar, tocar com cuidado o seu corpo... Mas nunca cheguei a
pensar em uma só frase que fizesse sentindo para fazer o primeiro
contato.
E lá estava ela, sim, ela lá estava. Desta vez, só. Sem uma
multidão de outros apaixonados para exaltá-la, ou simples bondosos
a sua disposição para o que precisasse. Aquela era
uma chance que talvez eu nunca mais teria.
Mas onde se escondia a minha coragem naquele momento? Eu não sabia.
Apenas tentei justificar que preferia ficar ali, apenas
admirando a forma como ela se movia. Como levava a mão pequena
até o rosto, como era atenta a cada ruído. Admirava a sua vida em
pequenos instantes.
Eu a amava. Eu não tinha dúvidas. Um amor louco, de uma insanidade
comprovada. Me apaixonei pelos movimentos estudados de uma garota
que não me via.
Ela sempre estava ali, e embora precisasse sempre de alguma ajuda,
não se fazia de necessitada. Não se encaixava em nenhum papel de
vítima. Apenas estava ali, sobrevivia de acordo com as suas condições.
E eu? Bom, eu vivia de acordo com as minhas.
Eu preferia ficar só em algum mundo externo, onde nossas vidas
nunca se cruzariam. Eu sabia tudo a seu respeito. Ela nada sobre mim.
Eu a conhecia, ela não. Eu a amava, ela não. Eu a enxergava, ela não.
Não me enxergava porque além de me manter escondido por todos esses anos,
ela nunca conheceu as cores que pintavam o mundo. Nunca pôde ver quão bela era.
E embora a luz dos seus olhos não possam servir para iluminar o mundo dela,
sempre foi o que iluminou o meu mundo.
E lá estava ela. Como sempre tão bela! Como sempre distante.
Como sempre... inalcançável.

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