quinta-feira, 22 de março de 2018

confesso-me disfuncional



Me vejo encarando os velhos cantos das mesmas paredes de sempre.
Me observo voltando a visitar lugares escuros e dessa vez eu não pareço
mais conhecer o caminho. Automaticamente me perco entre
todos esses velhos e novos labirintos. Eu não sei mais voltar. Então posso
só sentar aqui um instante e esperar alguém vir procurar por mim?
Mas e se me acharem, me levariam de volta pro lugar de onde eu fugi?
Dolorosamente concluo então que nenhum lugar mais é seguro.
E dessa vez, é diferente, eu realmente nem quero voltar. Não posso voltar.
E eu nem quero mais ficar aqui, eu nunca gostei do escuro.
Mas lá também não tem mais luz. Não tem mais sol. 
O gosto amargo de me sentir derrotada me acorda todos os dias me lembrando
que não foi mentira, que não é um sonho. Essa é minha vida agora.
Bom, eu não chamaria de vida. Isso não é viver.
Isso é se arrastar pela existência. É um longo e interminável passeio por um cidade fantasma.
Não há nada pra visitar. Não há nada pra ver aqui.
E é aí que eu percebo que ninguém virá. Ninguem conhece o caminho.
E que cidades fantasmas nem existem nos mapas e é
assim finalmente encontro algum consolo, pois dessa forma eu também não existo.





The Verve - The Drugs Don't Work 



 

terça-feira, 23 de maio de 2017

speechless

Mais uma vez estou aqui, escrevendo como é me sentir decepcionada (de novo).
Outra vez, aqui, encarando as paredes e me perguntando como me deixer levar.
 Eu acreditei. Eu que nunca acredito em nada, acreditei.
Eu que nunca confio em ninguém, me ceguei por ti.
E me perdi. 
Eu te tirei do teu abismo e em troca você me atirou em outro.
Eu fiz o que pude pra te fazer ver que a vida podia ser boa também.
Você me arrancou a sorte. Me arrancou a paz. Me arrancou de mim mesma.
Me tirou tanto que eu nem sabia o quanto eu podia perder. E perdi muito.

Aqueles dias não passavam. Pareciam todos iguais.
Aquela angustia me sufocava e me quebrava os ossos a cada maldito minuto.
Parecia que eu morria por várias vezes todos os dias. 
Eu deveria saber que você não passava de um personagem.
Ninguém podia ser tão bom... E de fato, não era.
Eu me deparei com as piores versões de mim mesma. 
Me vi sufocando pra continuar te mantendo na minha vida, mesmo aquilo me 
fazendo sangrar sem parar.
Te manter aqui era devastador, mas te afastar era algo impossível.
 E eu realmente acreditava que não era possível ficar sem você.
Logo eu que nunca precisei de ninguém.
Te precisei com tanta necessidade. Com tanta força;
Esqueci de mim mesma nesse caminho.
Teu lixo poluiu a minha vida e eu aceitei sorrindo.
Tentei assumir a missão impossível de limpar a podridão da tua alma corrompida
como se essa fosse uma causa minha. 
Mas acabou que a tua sujeira invadiu-me.
Tua lama sujou a minha vida inteira. 
E de repente, eu que era luz, virei treva.

Eu demorei, mas hoje consigo enxergar-te dessa forma. Da forma limpa e crua que só
a distância de ti fez possível. 
Agora sei o quanto era tóxico te ter aqui e o quanto envenenada eu estava.
Mas não morri. Quando menos esperei, o que restava da minha força gritou, e como um organismo expulsa um parasita, eu te expulsei daqui. 
Hoje reconheço tua verdadeira face. Pois conheci tua verdadeira essência.
Meus olhos por ti não são mais cegos. 
Eu consegui me livrar das tuas amarras.
Tuas mentiras não me alcançam mais.
Teu choro (cínico) não me toca mais. 
Teu beijo não tem mais sabor algum.

E teu nome, não me representa mais nada.

Vá em paz. 



 




 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

mal traçadas linhas



"Isso tudo vai passar quando você crescer" eles disseram. 
E nisso eu me segurei todos esses anos. Me sentindo apenas uma criança chorona que reclamava de dor e passei a viver na esperança que quando crescesse eu teria as respostas das perguntas ou soluções de como parar de me sentir tão desconexa com o mundo. Tão desajustada e perdida. Eu apostei na minha versão mais velha. Eu apostei tudo. Ela saberia o que fazer. Ela iria descobrir. Mas eu deveria saber que isso era um engano meu. Alias, mais um deles. Eu deveria saber que eu iria continuar sem entender o que tava acontecendo ou como lidar com essa dor que sempre existiu. Talvez, a única descoberta que eu tenha feito é que isso enraizou em mim e que talvez não saia mais. Se fosse possível um encontro com a minha versão mais nova, eu a decepcionaria por contar a verdade: eu não sei lidar. Eu não sabia lidar há anos atrás e continuo sem saber lidar anos depois. E a magoaria (ainda mais) ao dizer que o tempo não ia ajuda-la a encontrar a solução, que o tempo só faria o monstro crescer. Porque sim, ele cresce junto com você, E se torna um passageiro desagradável que está sempre ali por perto e você pede, alias, você implora que ele se vá, pelo menos por um tempo porque você simplesmente não aguenta mais sua voz e o peso da sua presença. Eu só queria que ela soubesse que "tudo bem sentir-se triste e perdida, mas terão também dias felizes que valem a pena serem vividos e isso vai continuar dando forças pra viver quando ela não achar que não tem mais, pois os motivos pra viver ainda são maiores do que os motivos pra desistir.
Só quero que você saiba que pelo menos, terão versões de você o tempo todo para te ajudar a passar por todas essas fases dificeis. Você sempre vai encontrar alguma palavra de força dita por você mesma em algum momento e que servirá como sinal e como conforto. A ajuda que você pede chorando o tempo todo vem de você. Vem de mim. Vem de nós. 



Querida eu, obrigada por não desistir da gente.






► HOW DOES IT FEEL - Eskimo Joe  

terça-feira, 7 de abril de 2015

Cheating Heart.

Ele a encontrou sozinha sentada em um lugar no meio do nada. Acompanhada apenas pelo céu negro. Céu ciumento que não havia permitido a aparição das estrelas naquela noite. Ela parecia atordoada, com uma leve energia depressiva que fazia o contorno do seu corpo. Ele a conhecia. Só não existia intimidade. Ele não sabia como se aproximar. Afinal, o que Ela fazia ali? Mas, calmamente, ele se aproximou e a cumprimentou. Ela nem ao menos o olhou, só respondeu educadamente o cumprimento lhe dado.
- Ei, não acha perigoso ficar sentada sozinha aqui? Está tarde. Não deveria ir para casa?
- Não. - Respondeu.
- Não o quê? Não acha perigoso ou não deveria ir pra casa?  - Questionou Ele.
- Eu gosto de ficar só. Em todos os sentidos, se é que me entende. - Notou que havia sido rude e acrescentou - Não foi uma indireta. - sorriu.
- Sim, entendo. - Demonstrando compreensão o suficiente, sentiu-se à vontade para sentar ao lado dela.  - Do que tem medo? Das pessoas machucarem você?
- Não, ao contrário. Eu que tenho medo de machucá-las. - Acendeu um cigarro.
- Não me diga que você é daquelas pessoas mal intencionadas? - Foi irônico na tentativa de amenizar o clima.
- Não. - Respondeu Ela. - Eu sinto que quebro as coisas que toco. Sinto que machuco as pessoas com quem me relaciono.
- Não acho que você seja assim. Pelo menos, não imagino que seja. - Tentou argumentar.
- É o que dizem. Mas assim como Eles, você também não me conhece.
- Humm... E quantas vezes você se permitiu conhecer alguém? Tipo, conhecer mesmo? Saber do que alguém gosta ou não gosta. Do que precisa ou do que deseja.
- Você não entendeu. Eu conheço as pessoas. Elas que não me conhecem. Mas você está certo. Eu nunca me permiti.
- Aí está a resposta então. Talvez, no dia em que você se permitir, tudo seja mais fácil.
- Não existe nada fácil na minha vida. E nem acredito em  muitos que tenham essa sorte de ter algo fácil na vida. Inclusive, acho que a palavra "sorte" foi inventada por sonhadores inconformados com seu destino.  - soltou mal humorada.
Ele encarou meio confuso e falou:
- Nossa! O que a vida te fez para ter te tornado assim tão amargurada? Acho que isso é falta de amor. - e sorriu.
Ela sequer o olhou e respondeu.
- Não, moço. Não é falta de amor. É excesso de amor. O problema é esse. Eu sempre fui muito bem amada, porém, nunca soube amar. O amor nunca me foi justo. O amor nunca gostou de mim. Então, eu também não gosto do amor.
Levantou-se e foi embora. E o rapaz nunca soube se de fato a moça, um dia foi feliz. Porém, enquanto assistia sua partida, pediu que o Amor fizesse as pazes com Ela.


Glasvegas - It's my own cheating heart that makes me cry

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

C r e e p.

Tentei não falar de você. Tentei não usar sua constante ausência como tema de mais um desabafo. Juro que tentei não pensar em você ao lembrar que sofro, ou até mesmo, ao lembrar que amo. Então, desculpe-me se falhei. Se mais uma vez, falho em ser algo que não te serve. Que não te encanta. Que não te merece. Desculpe-me ser só mais uma cabeça confusa e de coração remendado, que ousou um dia sonhar em viver ao teu lado.  Desculpe-me ter sido tão fraca e tão tola a ponto de ter me apaixonado assim que ouvi teu nome. Desculpe-me, por cada momento em que esqueci meus olhos em você, eu tentava inultimente ali te prender, ali te guardar. Desculpe-me  ter sido tão atrapalhada e não ter feito mistério em te deixar conhecer o mais fundo da minha alma, despejando em ti minhas fraquezas, medos e sonhos e nas entrelinhas te convidava a viver comigo esses sonhos e a enfrentar comigo esses medos. Desculpe-me ter morrido de ciúmes a cada "bom dia" seu que a mim não era direcionado ou a cada riso teu que não era meu.  Inclusive, desculpe-me se morri por dentro ao te ouvir falando dela com o mesmo entusiasmo que eu falava de você. Ou se chorei sozinha no meu quarto lembrando de você chorando por outra. Desculpe-me, eu devia ter sido uma amiga melhor.
E por fim, desculpe-me por cada oração minha antes de dormir, em que eu pedia baixinho "por favor, me ame".
É que amor não se pede.... e nem se desculpa.
(e mais uma vez, eu fiz tudo errado.)



Creep - Radiohead.

domingo, 26 de maio de 2013

her fuckin' wrong conception

... Estava feliz. Finalmente, a felicidade.
Finalmente, o amor.
Amor chegou pra preencher cada dia ensolarado ou chuvoso.
Para acompanhá-la em toda e qualquer estação ou mês do ano.
Achou alguém à quem queria pertencer. Achou alguém à quem queria entregar-se
sem receios.
Finalmente, ligações frequentes e olhares apaixonados em lugares públicos.
Beijos intermináveis. Palavras românticas.
Filme à dois. Passeio à dois. Banho à dois...
O melhor toque, o melhor abraço, o melhor cheiro e todas as peculiaridades que partiam de uma só pessoa.
Ah, como estava apaixonada!
O mundo parecia diferente. Sim, parecia! Não era mais nada igual.
Dia após dia percebia o quão envolvida já estava e como já não conseguiria voltar a ser sozinha.
Estranho esquecer como vivia antes de conhecer alguém. Mas esquecera.
Não pensava em mais nada. Aquela pessoa havia lhe roubado todos os pensamentos. Nada a pertencia mais. Mas quem dera todo mundo ter um ladrão de pensamentos como o que ela tinha!
Estava feliz. Sim, estava! Ela reconheceria felicidade de longe por ser tão inconfundível e extremamente singular.
Ela estava feliz! Enfim, estava feliz.
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Até que o seu Amor mentiu e a traiu com a melhor amiga.




My happy Ending - Avril Lavigne 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Nuova Vita.

As coisas haviam mudado. Alguém novo aparecera. 
Alguém que trazia na presença a esperança de uma história diferente. 
Alguém que cuja insistência, a deixava tão segura como jamais se sentiu. 
Moça desconfiada, o que aconteceu? 
Onde estão tuas certezas? Tuas convicções? 
Estavam ali. Mas ao mesmo tempo, se esquecia de todas as regras que criou. 
Só lembrava de uma frase clichê "O mundo dá voltas". Nunca fez tanto sentido.
Mas, não de uma forma ruim. Às vezes, em uma dessas voltas, o mundo acaba nos trazendo mimos de viagem. Dessa vez, não foi surpreendida negativamente. Ela havia sido presenteada. Sensação estranha, mas radiante. 
Havia medo ali. O Amor não tinha nascido para Ela, sempre soube disso.
Não tinha dado sorte nas vezes passadas.
Acumulava experiências desastrosas com paixões de todos os tipos e gêneros. 
Agora seria diferente? Que motivos teria para acreditar? 
Só queria. E porque queria, iria acreditar. 
Deitou-se lentamente e começou a lembrar de tal rosto, de tal voz... E Naquele olhar que não cabia mentiras. Sorriu com dor. Lembrou dos temores, aflições, e pior, dos fantasmas. 
Arriscar-se "naquilo" iria contra tudo o que já proclamou e ditou na vida. Mas, ainda assim, não conseguia abrir mão. Ela sabia que não seria fácil. E que sempre teria algo ou alguém que estaria esperando para ir contra tal vínculo. Teria que ser forte, e sozinha, sabia que não estaria. 
Continuaria firme, mesmo com essas previsões? 
Adormeceu. 
E em sonho, finalmente uma visão positiva. Uma cena simples, as mãos entrelaçadas, mas de ternura estampada. Um gesto pequeno como imagem, mas grandioso como ação. 
Ficar junto parecia ser a melhor saída. A imagem foi se desfazendo, e uma voz desconhecida e tão delicada, ecoou:
"É o fim de uma era, moça. E, enfim, o começo de outra. Aceite e se entregue. Que coisa engraçada é a vida, não?" 
Acordou atordoada.
"Estou pronta!" Ela respondeu baixinho.   
Saltou da cama e foi viver. 





Skinny Love - Birdy.