terça-feira, 7 de abril de 2015

Cheating Heart.

Ele a encontrou sozinha sentada em um lugar no meio do nada. Acompanhada apenas pelo céu negro. Céu ciumento que não havia permitido a aparição das estrelas naquela noite. Ela parecia atordoada, com uma leve energia depressiva que fazia o contorno do seu corpo. Ele a conhecia. Só não existia intimidade. Ele não sabia como se aproximar. Afinal, o que Ela fazia ali? Mas, calmamente, ele se aproximou e a cumprimentou. Ela nem ao menos o olhou, só respondeu educadamente o cumprimento lhe dado.
- Ei, não acha perigoso ficar sentada sozinha aqui? Está tarde. Não deveria ir para casa?
- Não. - Respondeu.
- Não o quê? Não acha perigoso ou não deveria ir pra casa?  - Questionou Ele.
- Eu gosto de ficar só. Em todos os sentidos, se é que me entende. - Notou que havia sido rude e acrescentou - Não foi uma indireta. - sorriu.
- Sim, entendo. - Demonstrando compreensão o suficiente, sentiu-se à vontade para sentar ao lado dela.  - Do que tem medo? Das pessoas machucarem você?
- Não, ao contrário. Eu que tenho medo de machucá-las. - Acendeu um cigarro.
- Não me diga que você é daquelas pessoas mal intencionadas? - Foi irônico na tentativa de amenizar o clima.
- Não. - Respondeu Ela. - Eu sinto que quebro as coisas que toco. Sinto que machuco as pessoas com quem me relaciono.
- Não acho que você seja assim. Pelo menos, não imagino que seja. - Tentou argumentar.
- É o que dizem. Mas assim como Eles, você também não me conhece.
- Humm... E quantas vezes você se permitiu conhecer alguém? Tipo, conhecer mesmo? Saber do que alguém gosta ou não gosta. Do que precisa ou do que deseja.
- Você não entendeu. Eu conheço as pessoas. Elas que não me conhecem. Mas você está certo. Eu nunca me permiti.
- Aí está a resposta então. Talvez, no dia em que você se permitir, tudo seja mais fácil.
- Não existe nada fácil na minha vida. E nem acredito em  muitos que tenham essa sorte de ter algo fácil na vida. Inclusive, acho que a palavra "sorte" foi inventada por sonhadores inconformados com seu destino.  - soltou mal humorada.
Ele encarou meio confuso e falou:
- Nossa! O que a vida te fez para ter te tornado assim tão amargurada? Acho que isso é falta de amor. - e sorriu.
Ela sequer o olhou e respondeu.
- Não, moço. Não é falta de amor. É excesso de amor. O problema é esse. Eu sempre fui muito bem amada, porém, nunca soube amar. O amor nunca me foi justo. O amor nunca gostou de mim. Então, eu também não gosto do amor.
Levantou-se e foi embora. E o rapaz nunca soube se de fato a moça, um dia foi feliz. Porém, enquanto assistia sua partida, pediu que o Amor fizesse as pazes com Ela.


Glasvegas - It's my own cheating heart that makes me cry