segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sem valor.

Anita foi embora.
Eu tinha que aceitar isso um dia.
Tinha que ser homem pra encarar, e conviver com
o fato de que eu continuava vivo, sem a mulher da minha vida.
Vivo? Estranho, eu não me sentia assim.
Não havia vida sem Anita. Sem Anita, não havia nada.
Nada existia sem a sua existência. E eu passei a depender dela para
existir também. E o que eu era agora se Anita não estava mais aqui?
Será que Ela lembra de mim lá do lugar onde está agora? Como será
o mundo de Anita sem mim? Melhor? Talvez.
Mas e o meu? Ah!!! Porque deixastes, Meu Deus, ser tão dependente daquela mulher?!
O que me tornei depois de ser deixado foi isso: Um homem que usa as mulheres, para tentar
enxergar nelas um traço fino de Anita, um homem que abusa do álcool, para enxergar o belo
rosto de Anita nas suas alucinações, um homem que não se importa mais com os pobres corações apaixonados que entregam para Ele. E mesmo precisando de um coração, pois o seu não o pertence mais,
ele rejeita. Ele Rejeita? Sim. Como Ele usaria um coração agora? Se seu, Ele havia entregado, a uma mulher que jogou de qualquer jeito dentro de suas malas ao partir para além do infinito. Para tão distante de onde
Ele se encontrava?
Ele ía continuar assim. Porque Ele sabia, ali no seu íntimo, que não estava pronto para amar tão cedo outra vez. E que custasse o preço que fosse, que aquela era hora e que Ele só iria se divertir.
Sem mais sentimentos por um temporada indeterminada.
Olhem pra mim! Falando de mim na terceira pessoa... Que fiasco! Simplesmente não consigo aceitar
o que me tornei, é tão doloroso quanto lembrar da partida. O inverso de quem fui.
Ah, Anita! Porque se foi? Porque chegou?
Mas, obrigado. Você me fez feliz mais do que jamais fui. E eu entendo o que aconteceu, não a culpo.
E mesmo entre o gosto de novas e antigas pessoas, e o cheiro dos cigarros e das bebidas que hoje
me fazem companhia, é o seu cheiro que sinto nessa casa.
E a cada pessoa que eu beijo, é o seu nome que eu chamo.
E a cada pessoa com quem eu faço amor, é o seu corpo que me excita.
Não, Anita, não se preocupe! Eu estou bem! Eu só sinto a sua falta.
Anita foi embora, me abandonou e abandonou nossa família.
Não sou um homem viúvo. Sou um homem abandonado.
Que tristeza!